Caso Ana Clara: jovem que teve mãos decepadas deixou estudos e academia para evitar brigas com namorado

  • 18/05/2026
(Foto: Reprodução)
Jovem que teve mãos decepadas deixou estudos e academia para evitar brigas com namorado A jovem Ana Clara Antero de Oliveira, que teve uma mão decepada e a outra semimutilada em uma tentativa de feminicídio, viveu um relacionamento conturbado de quase dois anos com o então namorado Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos. A jovem foi atacada pelo cunhado, a mando do ex-companheiro, no último dia 1º em Quixeramobim, no interior do Ceará. A tentativa de feminicídio contra Ana Clara aconteceu depois que ela e Ronivaldo tiveram uma briga. O irmão dele, Evangelista Rocha dos Santos, de 34, foi com Ronivaldo até a casa da vítima e a atacou com uma foice. A jovem segue internada em recuperação. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O relacionamento de Ana Clara com Ronivaldo começou há pouco menos de dois anos. Em entrevista à TV Verdes Mares, ela contou que o namorado passou a manifestar, com o tempo, agressividade em momentos de ciúmes ou irritação. Ana Clara, que era aluna do 4º semestre do curso de Nutrição, abandonou os estudos e deixou de ir para a academia, algo que ela gostava bastante de fazer, para tentar evitar brigas com o companheiro (confira no vídeo acima). LEIA TAMBÉM: Agiotagem e drogas: conversas entre acusados de decepar mãos de jovem sugerem participação em outros crimes Vídeos mostram diálogo entre irmãos que deceparam mão de jovem: ‘Tu matou?’ 'Estava consciente o tempo todo', diz Ana Clara sobre tentativa de feminicídio em que teve mãos decepadas pelo cunhado “Muito ciúmes, não deixava mais eu ir pra academia, não deixava eu estudar mais, era eu fazendo as vontades dele. E eu fazia as vontades dele porque eu imaginava assim: ‘Não, eu vou fazer as vontades dele porque aí a gente não vai brigar. Mas eu vou deixar de viver minha vida pra viver a vida dele, as coisas dele, e vou esquecer de mim’. [...] Mas parece que, quanto mais eu fazia isso, mais existia briga”, partilhou Ana Clara. Ana Clara passou por três cirurgias após sofrer tentativa de feminicídio Reprodução Histórico de agressões A jovem cresceu com os familiares no distrito de Nenelândia, em Quixeramobim. Aos 15 anos, a família passou a morar mais perto do centro da cidade. Ela relembra que, antes de decidir se mudar para morar com Ronivaldo, ela já havia sido agredida por ele. Segundo Ana Clara, isso aconteceu porque o então companheiro atuava como agiota e pretendia cobrar a dívida de uma mulher que estava grávida. Ronivaldo não teria reagido bem quando a namorada tentou interferir. “Ele se revoltou, deu um murro na minha boca. Eu cheguei lá na minha mãe num choro... Não esperava por aquilo, não esperava. Nessa época, a gente não morava juntos. [...] E, mesmo assim, eu tentei insistir em levar mais pra frente, porque [o relacionamento] tava no início, eu imaginei que tinha sido coisa assim da cabeça dele, que teria sido algo do momento", relatou. Nos últimos meses, os episódios de ciúme e as agressões se intensificaram. De acordo com Ana Clara, o namorado costumava bater nas pernas dela usando um copo térmico que ela usava para ir à academia. Após a tentativa de feminicídio, a jovem quer alertar outras mulheres que podem estar em relações que tragam riscos para a vida delas. Ela afirmou, ainda, que já sofreu agressões em outros relacionamentos e não quis falar abertamente sobre as violências sofridas. “Eu quero que isso melhore, que as mulheres que passam por isso se saiam. Procure uma ajuda psiquiátrica, psicológica, converse com um amigo… Se saia, não esconda”, aconselhou. Atualmente, a jovem planeja voltar a morar com os familiares quando tiver alta do hospital. Vítima fingiu estar morta após ataque 'Estava consciente o tempo todo', diz vítima que teve mãos decepadas por cunhado Fingir que estava morta foi uma das reações de Ana Clara enquanto era atacada pelo cunhado. A vítima revelou que esteve acordada durante todo o tempo em que foi socorrida, dormindo pela primeira vez apenas quando estava prestes a fazer a cirurgia de reimplante das mãos. O agressor saiu da casa dela depois que ela ficou caída no chão sem se mexer. Quando ficou sozinha na casa, ela não conseguia mexer no próprio celular. Por isso, a solução encontrada foi gritar por ajuda. Após o ataque, Ana Clara conseguia falar pouco e sentia muitas dores. Ao relembrar o episódio, ela destaca a agilidade com que os socorristas conseguiram preservar a mão dela para os procedimentos de reimplante. Noite do ataque Antes da discussão do casal na noite do crime, eles haviam saído para beber na casa de um amigo de Ronivaldo e, em seguida, tinham ido para um restaurante. Segundo a jovem, Ronivaldo ficou irritado quando ela quis voltar para casa por achar que já estava bebendo demais. A discussão continuou dentro do carro, quando ele disse que a deixaria em casa e sairia sozinho. Durante a briga, Ana Clara jogou uma pedra contra o carro dele. Ela explicou que, em outras ocasiões, o então companheiro costumava ir embora e passar um período afastado. Desta vez, ela disse que ficou surpresa ao ver que ele havia chamado o irmão. Enquanto Ronivaldo ficou em cima do carro, Evangelista pulou o muro da casa de Ana Clara e pediu para que ela abrisse a porta. Segundo a vítima, ela não havia visto que ele portava uma foice. “No que eu abri, ele já pulou a janela e foi tacando… Tacou a foice, amputou minha mão. Foi tacando assim nos meus braços, nas minhas costas. Aí eu corri pro quarto. Tentei fechar a porta do quarto, mas não consegui. E ele começou a tacar [a foice], e eu me fiz de morta", relatou Ana Clara. Recuperação Ana Clara teve as mãos decepadas pelo cunhado em tentativa de feminicídio em Quixeramobim TV Globo/Reprodução Ao acordar após a cirurgia de reimplante das mãos, Ana Clara afirma que sentiu gratidão ao perceber o trabalho feito para que ela recuperasse os membros. “Meu medo era ficar sem as mãos”, relatou. A recuperação da jovem é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais. Na última sexta-feira (15), ela passou pelas primeiras sessões de fisioterapia e terapia ocupacional. Desde a internação, Ana Clara passou por três cirurgias: para recolocar as mãos, recompor um tendão da perna que foi cortado e, depois, para substituir uma artéria em um dos braços. Quinze dias após a cirurgia de 12 horas que possibilitou o reimplante das mãos, a jovem voltou a movimentar gradualmente os dedos e aprendeu a usar o celular com os pés, segundo José Airton Firmino, padrasto da vítima. A nova habilidade possibilitou à mulher usar os dedos dos pés para deslizar na tela do celular e acessar a rede social, onde acumula mais de 30 mil seguidores, enquanto se recupera no Hospital Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza. Irmãos viram réus Evangelista, cunhado da vítima, foi preso em uma casa em Quixeramobim. No local, os agentes apreenderam uma foice, roupas e um chinelo, todos com manchas de sangue. Já Ronivaldo foi localizado e preso na residência de familiares, no município de Madalena. A Justiça Estadual aceitou a denúncia contra os irmãos Evangelista Rocha dos Santos, 34 anos, e Ronivaldo Rocha dos Santos, 40 anos, pela tentativa de feminicídio contra Ana Clara. O g1 confirmou com o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) que a denúncia foi aceita na última quinta-feira (14), na 1ª Vara de Quixeramobim. Com isso, os irmãos passaram a ser réus no processo - que passou a tramitar em segredo de Justiça. Ao denunciar os dois irmãos pela tentativa de feminicídio, o Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu que eles paguem uma indenização de R$ 97 mil à vítima. O valor está sujeito a alteração por parte da autoridade judicial que vai julgar o caso. Ainda não há prazo para o julgamento. Ronivaldo já possuía antecedentes criminais por lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica, crime contra a economia popular (agiotagem) e porte ilegal de arma de fogo. Evangelista não possuía antecedentes criminais. Pai revelou localização de irmãos Evangelista Rocha, de 34 anos, e o irmão Ronivaldo Rocha, de 40 anos Reprodução Raimundo Nonato Acioli dos Santos, pai dos irmãos que deceparam as mãos da jovem Ana Clara foi quem indicou onde os filhos Ronivaldo dos Santos e Evangelista dos Santos estavam escondidos. De acordo com a denúncia do MPCE, logo após tomarem ciência do crime, os policiais militares iniciaram as diligências para encontrar os suspeitos e se dirigiram à casa do pai deles. No local, Raimundo indicou os possíveis endereços onde estariam os filhos. Em depoimento à polícia, o pai da dupla denunciada informou que Ronivaldo havia lhe enviado mensagens afirmando que Evangelista tinha matado Ana Clara. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/05/18/caso-ana-clara-jovem-que-teve-maos-decepadas-deixou-estudos-e-academia-para-evitar-brigas-com-namorado.ghtml


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